Com certeza que sabes que quando se deita lixívia num rio, os peixes que nele vivem felizes e contentes, morrem; quando faltares com a água a uma tenra florzinha, ela morre.
Ou em vez disto, também sabes que como já tem acontecido, que se poluir a água que serve de alimento aos inocentes animaizinhos, há uma pena de castigo.
Porque será que os que andam a corromper a juventude, e tu fazes parte dessa juventude, não serão castigados?
Não tens consciência de que estás a ser alvo de um mau negócio!
Porque é que vais na conversa dos irrecuperáveis, e não tentas recuperar-te.
Era muito mais cativante, que te interessasses com o mundo que te rodeia do que com a podridão da nossa sociedade corroída.
Fazes tudo isso para quê? Para esqueceres algo?
Pois toma um conselho de uma amiga, que talvez não valha nada para ti.
Revolta-te com tudo o que te rodeia, inclusive com os teus educadores, que te impediram de contactar, mais de perto, com os problemas e com as dificuldades; e sonha com a libertação que vai ser para ti, quem sabe se desastrosa.
Faz isso e depois dir-me-ás se não encontraste a alegria.
Já agora, amigo, quero falar-te da alegria; da alegria total, plena, autentica (esta que eu sinto).
O mundo de hoje mendiga alegria.
Não encontra solução para os problemas por isso recorrem a meios momentâneos e degradados. As correntes filosóficas não podem combater um progresso tão activo e atroz dessa injúria para com a juventude actual.
Tornou-se prisioneiro da angústia, do tédio e do desespero e é por isso que os jovens, procuram nos barbitúricos, as maiores ilusões.
O mundo de hoje, é “um mundo fracassado”, perdeu a alegria, só lhe resta a angústia e o desespero.
É um mundo tão podre, tão podre de alegria...
Reparte com este grande necessitado a tua alegria.
Porque fazes isso?
É porque sofres?
Não sabes já que o sofrimento é um testemunho daquilo que nós fazemos, e a morte é o limite máximo do sofrimento.
Portanto o limite máximo do sofrimento é a morte.
Porquê modificar ou acelerar o nosso fim?
O teu martírio será morrer cada dia. Não morrer, por morrer, como um “beato”; mas morrer vivendo.
Queres viver?
É esse o teu dever. Viver!
Mas morrer de pé independente e livre.
Viver subjugado, acorrentado, escravizado, não seria viver.
Teria muito mais para te dizer, mas acho que agora deves ser tu a tomares consciência de ti próprio, da tua alegria, da tua vida e da sociedade que te rodeia.
Uma Amiga
